15 Maio 2009

Cheiros

Sempre que eu sinto o cheiro do desodorante Axe lembro de um verão que fui pra praia com os meus velhos amigos, ficamos todos em uma casa. Éramos piores do que mulheres nos arrumando (vários minutos na frente do espelho até ficar nos trinques), o Axe era a coqueluche do momento, sendo assim era um festival de desodorantes Axe das mais diversas fragrâncias pela casa, um cheiro que misturado ficava ainda mais forte.

Cheiro de alho me lembra comida e por esse motivo me dá uma fome danada, não importa o horário que seja. Cheiro de Shampoo Seda me lembra uma moreninha sapeca que eu “pegava” no ensino médio (aiiiii que saudades dessa safadinha). Droga, vou ao mercado amanhã comprar esse Shampoo só para lembrar dela.

Cheiro de sabonete me lembra banheiros de Hotel e Motel, do Hotel eu lembro das poucas mas boas viagens que fiz. Do Motel eu lembro de muitas coisas e também de uma cartela que preciso completar com doze carimbos para ganhar uma “estadia” de graça.
Ai o Motel...
Já volto, vou ali dar uma cheirada no sabonete do banheiro.

Pronto, já de volta e recomposto.

Cheiro de plástico queimado me lembra quando eu era criança e gostava de queimar as pernas dos bonecos “Comandos em Ação”, na verdade não que eu gostasse – não era e nem sou um projeto de psicopata ou algo do gênero. Eu queimava as pernas dos bonecos para tentar colá-las novamente após elas terem caído “acidentalmente”.


Cheiro de sagu me lembra que eu não gosto de sagu.

Cheiro de bosta seca de vaca me lembra dos jogos de futebol nos campos da Zona Sul de Porto Alegre. Tenho que fazer um parênteses ao mencionar bosta de vaca seca.
Onde eu morava tem um campinho de futebol que fica literalmente no meio do mato (com o perdão da redundância). Meus amigos e eu uma vez limpamos todo o campinho, fizemos marcação com cal em volta de toda a área onde iríamos jogar, fizemos um par de goleiras.
Deixamos o campo pronto para receber nosso jogo importante que aconteceria no dia seguinte. Ao voltarmos no campo para o tal jogo eis que temos uma desagradável surpresa... O campo estava todo cagado, e no sentido mais sujo que essa palavra possa ter. As malditas vacas fizeram o seu trabalho, acabaram como o jogo. Esse é um dos motivos de eu não ter pena de comer um bom churrasco bem assado, essas vacas são umas sacanas e na primeira oportunidade elas ferram com sua vida.
No final das contas não podemos jogar pois os dejetos ainda estavam fresquinhos e não podiam ser removidos com segurança; mas depois de seco sim, até se pode jogar nos amigos, é legal.

Cheiro de álcool me lembra das provas do ensino fundamental que eram feitas no jurássico Mimeógrafo, todos davam uma boa cheirada na folha da prova antes de começar a quebrar a cabeça nas questões. O bom era quando revirando o lixo da escola achávamos a matriz da prova, então era só decorar as respostas e ser feliz.

Cheiro de gás de cozinha me lembra.... Não me lembra nada, pois gás de cozinha não tem cheiro – o liquefeito de petróleo (GLP) ou gás de cozinha como é mais conhecido, possui um composto chamado mercaptana (enxofre) que é o cheiro desagradável que sentimos.

Esse blog também é cultura.

Cheiro de cloro me lembra de piscina, acho que isso acontece por que até hoje o único lugar que eu vi o cloro foi em piscinas.

Já que os cheiros me trazem a lembrança momentos marcantes que eu consigo visualizar muito bem, vou começar a encher meus livros de estudos com cheiros diferenciados para ver se consigo memorizar o seu conteúdo. Se funcionar posso patentear essa ideia (agora “ideia” sem acento). Hum... encharcar o livro com cheiros??!! Isso não está me cheirando bem – tive que fazer essa piadinha.